Turbulência política na Itália atinge ações e títulos do governo

Por Lisa Jucca

MILÃO, 30 Set (Reuters) - Títulos do governo italiano e os mercados de ações do país naufragaram nesta segunda-feira, depois que Silvio Berlusconi puxou o tapete da coalizão do premiê Enrico Letta ao ordenar que cinco ministros de centro-direita renunciassem a seus cargos no governo.

A decisão de Berlusconi, tomada à medida que o magnata da mídia enfrenta a possível expulsão do Parlamento após ser condenado por fraude fiscal, deixou a terceira maior economia da zona do euro sem um governo funcional.

Investidores temem que o caos político na Itália possa expandir-se para além das fronteiras do país, especialmente se resultar em novas eleições, embora o presidente Giorgio Napolitano pareça determinado a tentar todos os caminhos para buscar uma nova maioria parlamentar.

A turbulência ocorre em um momento particularmente infeliz, em que o projeto de lei orçamentária do próximo ano está em negociação.

No entanto, o fato de a economia da zona euro estar mostrando sinais de recuperação e de os investidores continuarem a acreditar na postura do Banco Central Europeu poderiam limitar qualquer contágio.

"Se resultar em novas eleições, e ainda é um grande se, a incerteza política que se seguiria seria ruim para a Itália e, em menor grau, para a zona do euro", disse Holger Schmieding, economista do Berenberg Bank. "Mas os mercados e formuladores de políticas da zona do euro estão agora provavelmente em uma posição melhor para lidar com isso do que antes."

O rendimento dos bônus de 10 anos da Itália, um bom indicador de sentimento de longo prazo, subia para 4,73 por cento no início desta segunda-feira, ante 4,42 por cento na sexta-feira, o mais alto desde junho, mas bem abaixo dos 7,5 por cento atingidos quando a Itália esteve à beira da inadimplência no final de 2011.

O índice de ações FTSE MIB tinha queda de 1,7 por cento, principalmente devido à queda de ações do setor bancário. Ações do grupo Mediaset, controlado por Silvio Berlusconi, caíam 4 por cento.

O primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, irá ao Parlamento na quarta-feira e tentará obter um voto de confiança para verificar o que resta do seu apoio parlamentar.

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