China e Dudley atiçam apetite por risco e dólar volta a R$ 2,20

SÃO PAULO, 23 Set (Reuters) - O dólar fechou em queda e voltou ao patamar de 2,20 reais nesta segunda-feira graças ao apetite de investidores por ativos de risco, como moedas de países emergentes, diante de sinais de fortalecimento da economia chinesa.

O movimento foi estimulado também por declarações do presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, que reforçaram a postura expansionista do banco central dos Estados Unidos, mas mantiveram incertezas sobre o futuro do programa de compra de ativos.

A moeda norte-americana perdeu 0,82 por cento, para 2,2012 reais na venda, após tocar 2,1952 reais na mínima do dia. Outras moedas de países emergentes também se valorizaram ante a divisa dos EUA, como, por exemplo, o peso mexicano e o dólar australiano.

"O Dudley falou que não está ainda definido que o Fed vai reduzir o nível de compra de ativos já na próxima reunião, então isso está dando fôlego para o real hoje contra o dólar, na esteira também do movimento de atividade positiva lá na China", disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

O setor industrial da China cresceu no ritmo mais rápido em seis meses em setembro, de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI) preliminar, fornecendo mais evidências de fortalecimento da segunda maior economia do mundo.

Nos EUA, Dudley alertou que o banco central norte-americano precisa combater as ameaças à recuperação dos EUA, sugerindo que a política monetária deve permanecer expansionista, embora ainda planeje reduzir o estímulo até o fim deste ano.

Analistas do UBS disseram "parecer improvável" que o Fed opte por retirar estímulos tão rapidamente. Eles afirmaram que a postura do banco central na semana passada vai manter o dólar fraco por um trimestre antes de ser retomada a tendência de alta.

Para o economista-chefe do banco J.Safra, Carlos Kawall, o Fed tirou a pressão do mercado de câmbio. "Nossa previsão é que o dólar fique no patamar entre 2,20 reais e 2,25 reais, com o mercado mais equilibrado e menos volátil", previu.

O presidente do Banco Central brasileiro, Alexandre Tombini, afirmou que a decisão do Fed não altera o rumo da política monetária brasileira, que continua sendo importante para evitar que a inflação seja contaminada pelo dólar mais alto.

"A decisão do Fed surpreendeu o mercado, mas não vejo efeito disso na política monetária no Brasil", afirmou Tombini.

Logo na abertura, o BC realizou mais um leilão de swap cambial tradicional --equivalente a oferta de dólares no mercado futuro-- previsto em seu cronograma de intervenções diárias. Foi vendida a oferta total de contratos com vencimento em 3 de fevereiro de 2014. O volume financeiro equivalente da operação foi de 497,4 milhões de dólares.

E já anunciou para terça-feira outro leilão de swap tradicional, ofertando entre as 9h30 e 9h40 10 mil contratos com vencimento em 3 de fevereiro de 2014. O resultado será conhecido a partir das 9h50, informou a autoridade monetária.

(Reportagem de Bruno Federowski e Marília Carrera)

See all articles from Reuters
Loading...

Friend's Activity